Os miúdos também podem ser escritores

28-11-2014 10:11

A Associação Atrevida promove um concurso literário para crianças lusófonas. Os textos deverão ser entregues até 30 de Dezembro.

Sob o lema “atreve-te a escrever”, a Associação Cultural Atrevida desafia crianças lusófonas dos 8 aos 14 anos a criar textos sobre o tema que quiserem. Os melhores serão publicados em livro.

É a terceira edição do Concurso Internacional de Escritores Infanto-Juvenis Lusófonos, que já tem duas antologias editadas: Ler É Bom, Escrever É Melhor e A Pátria É a Infância.

Não andam à procura de meninos-prodígio, querem tão-só promover a escrita junto dos miúdos e dar-lhes voz. “As crianças não têm espaço para comunicar, para escrever as suas histórias, para nos contar o que é que lhes vai na cabeça, no seu imaginário. Considerávamos que era uma lacuna não haver uma edição conhecida de literatura infanto-juvenil de escritor. Isto é, feita por eles próprios”, diz Paulo Madrid, um dos fundadores da associação, que começou em Espanha, em 2009 (Projeto La Atrevida), em parceria com Javier Betemps, ambos professores. Agora, já contam com mais cinco elementos na equipa.

“Não é que a literatura infanto-juvenil tal como está não seja adequada às crianças, mas não é criada por elas”, prossegue, dizendo ainda que a ausência de ilustrações é propositada, “para dar peso à palavra, em contraposição ao que se vê hoje em dia na literatura infanto-juvenil, em que a palavra está a ser devorada pelo macrodesenho”.

Como é que têm a certeza de que foi a criança que escreveu e não contou com a ajuda de um adulto? “É sempre um risco, mas queremos confiar nas boas intenções de toda a gente. Principalmente dos pais, irmãos e professores. Mas isso nunca se vai conseguir em nenhum concurso com um autor, seja adulto ou criança.”
Mais fácil é detectar eventuais plágios, que às vezes acontecem: “Há textos de que suspeitamos, pela sua elevada qualidade, terem sido retirados de algum sítio. Tentamos descobrir a origem e, normalmente, conseguimos.”

Com vários parceiros institucionais ligados à educação, como o Plano Nacional de Leitura, a Rede de Bibliotecas Escolares, as Bibliotecas Municipais de Lisboa, a Geste (Gestão de Estabelecimentos Escolares) ou o Instituto Camões, a Associação Atrevida faz por marcar presença em encontros de professores, educadores e bibliotecários. Por isso participa nesta sexta-feira no 12.º Encontro de Professores e Educadores do Concelho de Sintra sobre Bibliotecas Escolares (Eterna Biblioteca), no Centro Cultural Olga Cadaval, às 11h30.

A associação quer demonstrar com este concurso que, “assim como os adultos podem escrever uma história mais infantilizada, uma criança pode escrever uma história um pouco mais adulta”. Sobre os textos já publicados nas duas antologias, Paulo Madrid conclui: “Não são histórias engraçadinhas, que são muito queridas, mas que não entretêm ou não chegam a ser válidas para os adultos. Muitos destes textos são boa literatura e boa literatura infanto-juvenil. E não apenas para crianças.”

Regulamento no site da Associação Cultural Atrevida:http://www.culturaatrevida.com/

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